Como fazer um Chevette com motor de Opala



A idéia de ter alguns cavalos a mais rugindo sob o capô já motivou muitos chevetteiros a modificar características de seus carros.

Entre as várias opções, a mais clássica (e empolgante) é a substituição do motor pelo do Opala, resultando nos conhecidos Chepalas.

Dessa modificação obtém-se um carro de desempenho realmente esportivo. Mas é exigido doses cavalares de paciência (e dinheiro) e muito conhecimento técnico para que se chegue a uma adaptação bem feita, que proporcione segurança, dirigibilidade e durabilidade.

Essa seção pretende ressaltar as principais implicações de se proceder a supracitada modificação, sem contudo ter a pretensão de constituir um manual "passo-a-passo".

1. Quanto à adaptação do motor:

1.1. Chepala de quatro cilindros

No caso de se optar pelo motor de quatro cilindros do Opala (2,5 L ou 151 pol³), a daptação é relativamente simples, já que o comprimento do bloco não é muito maior que o do motor original do Chevette.

A caixa de câmbio original do Chevette de cinco marchas pode ser mantida, já que é praticamente a mesma do Opala e já bastante superdimensionada.

O novo motor encaixa-se perfeitamente à caixa do Chevette, sendo necessária a substituição apenas de alguns componentes da transmissão (caixa seca, o eixo piloto, a luva e o garfo de embreagem) pelos equivalentes originais do Opala de quatro cilindros.

Um detalhe a ser observado é que o cárter, devido ao seu maior volume, poderá tocar o protetor quando o motor vibra ou "deita" sobre os coxins, resultando em ruídos e danos. Para evitar que isso ocorrra deve-se rebater o fundo do protetor de cárter.

O radiador original do Chevette não é suficiente para o novo motor, sendo necessária sua substituição pelo do Opala ou então por uma peça feita sob medida (que tem custo maior mas melhor adaptação).

Caso o câmbio original do carro seja o de quatro marchas, é indicada a substituição pelo de cinco.

O motor de quatro cilindros do Opala tem torque abundante mas não chega a ser nenhum expoente em potência. Pode-se melhorar esse ponto através de veneno aspirado. A instalação de turbo nesse motor é muito difícil pelo fato de os coletores de admissão e escapamento ficarem do mesmo lado do bloco. Outra opção para incrementar a potência seria um kit de Nitro.

O conjunto de embreagem deverá ser o do Opala de quatro cilindros.


Motor de Opala de quatro cilindros adaptado a uma Chevy 500.

1.2. Chepala de seis cilindros

A simples idéia de pilotar um Chepala de seis canecos, com toda a força e o ronco característico do motor, empolga a qualquer um. Mas essa é uma adaptação extremamente complexa, delicada e cara. Indicada somente para maníacos por mecânica.

Quanto algumas adaptações necessárias, é necessário refazer a parede de fogo (e não só cortar como se diz por aí), e para isso tem que se tirar o painel, tirar todo o sistema de ventilação forçada, fiação, bancos, console, tapete, etc... Aí sim corta-se um rombo de cerca de 70 cm de diâmetro na parede de fogo e com lata e funilaria fecha-se fazendo um novo túnel que englobe todo o câmbio (desde a caixa seca) que deverá ser fixado alguns centímetros mais para trás, além de mandar um bom torneiro encurtar o cardâ. Quanto a adaptações na frente do motor, é necessário cortar a lata perto do capô e colocar o radiador mais para a frente, perto da grade, e por fim deve-se alterar as posições de fixação do motor nas longarinas.


Motor de Opala de seis cilindros adaptado a uma Chevy 500.

Novamente o radiador original do Chevette não é suficiente para o novo motor, sendo necessária sua substituição pelo do Opala ou então por uma peça feita sob medida.

O cárter do motor de seis cilindros fica mais para trás, já fora do protetor e longe da travessa. Desse modo ele não fica tão "apertado" quanto o do motor de quatro cilindros do Opala mas em contrapartida fica desprotegido.

O câmbio pode ser o de cinco marchas do Chevette mesmo, que é dimensionado para suportar qualquer tranco, sendo preciso apenas reposicionar a caixa mais para trás (a alavanca fica mais ou menos onde fica originalmente o freio de estacionamento, e é indicado encurtá-la).

Um componente muito importante da transmissão e que costuma ser esquecido nessas adaptações é o diferencial. O original do Chevette não suporta o torque do motor de seis cilindros por muito tempo. A fim de evitar quebras freqüentes, deve-se substituí-lo pelo do Opala de seis cilindros. Para tanto será necessário mandar refazer a cruzeta do cardã, pois a do Chevette não se encaixa no diferencial do Opala.

Para tanto mantém-se as bandejas de suporte e a fixação do Opala soldada na lata do Chevette. Para manter as rodas dentro dos paralamas é preciso encurtar os semi-eixos. Caso se queira manter as rodas (de quatro furos) e freios originais do Chevette deve-se soldar as panelas do Chevette aos semi-eixos do Opala.


Detalhe da bandeja da suspensão traseira do Opala adaptada a uma Chevy 500.

A relação final de transmissão acaba ficando um tanto curta, do que provém respostas rápidas ao acelerador. Mas para quem prioriza a velocidade máxima ou o consumo é interessante utilizar o diferencial do Opala automático, de relação mais longa.

O conjunto de embreagem poderá ser o do Opala de quatro cilindros devido ao menor peso do Chevette, mas o do Opala de seis cilindros também pode ser utilizado.

2. Alterações necessárias à manutenção da estabilidade:

O primeiro passo é a substituição das rodas e pneus. A melhor combinação entre aderência e resistência (aos nossos buracos), tanto para Chepalas de quatro quantro para os de seis canecos, são rodas aro 14 calçadas por pneus 185 ou 195.

As molas dianteiras podem ser subtituídas pelas do Opala encurtadas em 1 ou 1,5 elo. Amortecedores pressurizados também ajudam.

3. Reforços estruturais necessários:

A fim de assugurar a integridade do monobloco de um Chepala, é importante que se faça reforços estruturais como uma barra de ferro unindo os dois pontos de fixação dos amortecedores dianteiros (por cima do motor), ou uma barra unindo um dos pontos de fixação das bandejas inferiores (atrás do protetor de cárter) com o outro lado. Esta última, num Chepala de seis cilindros, assume ainda a função de proteger o cárter.

No caso de Chepalas de seis canecos é importante também que a parede de fogo seja refeita, e não apenas recortada.

Sem esses cuidados podem ocorrer danos decorrentes de torção excessiva do monobloco.


Barra de ferro unindo as bandejas inferiores em um Chepala de seis cilindros. Note a relação com o cárter.

4. Outros detalhes:

Parte Elétrica: É preciso passar parte da fiação para o outro lado da frente do carro, com a confecção de novos chicotes e mudança da posição da ignição eletrônica, podendo ser mantida a ignição do Chevette caso se opte pelo motor de quatro cilindros.

Escape: o coletor de escape do opala fica do lado do motorista, e todo o cano de exaustão deve ser refeito para ser adaptado deste lado, sendo bom utilizar um cano de 2 pol para a exaustão, com cuidado para não passar rente a caixa seca nem a coluna de direção para que não encoste neles e faça ruídos. Pode-se fazer o cano cruzar para a direita logo atrás do câmbio a fim de manter a desembocadura do escapamento no local original.

Consumo: Varia conforme a preparação do motor e a conduta do motorista. O torque abundante permite que se rode a maior parte do tempo em baixa rotação, resultando em consumo moderado. Mas numa utilização mais esportiva os motores Big Block bebem bastante.


Adaptação do Motor 4cc e 6cc de Opala no Chevette :
- Pudelco Motorsport : (41) 9905-5759 Marco Aurélio
- Tessaro Caixas de Câmbio : (41) 343-1881 / 285-1298 Renato ( serviço de torno
para adaptação do motor Opala na caixa de Chevette )
- Motores Opala 4cc e 6cc com Nota Fiscal e Garantia : (41) 3256-2790 ( Peças Paraná - Altevir )